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Peixoto de Azevedo,07/02/2026

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Projeções para o Agronegócio em 2026: o que o produtor pode esperar

O FUTURO DO AGRONEGÓCIO


Projeções para o Agronegócio em 2026: o que o produtor pode esperar

O ciclo 2025/2026 se inicia em um cenário global de desafios e transição. E qual serão as projeções para o Agronegócio em 2026 de acordo com especialistas?

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Após três anos de margens apertadas e custos voláteis, o agronegócio brasileiro entra em 2026 em meio à juros elevados, desaceleração econômica mundial e tensões geopolíticas persistentes, que impactam diretamente os preços de energia, a oferta de fertilizantes (insumo que o Brasil é altamente dependente) e o custo de produção agrícola.


De acordo com o Itaú BBA (2025), o setor atravessa sua “terceira safra consecutiva”, marcada por crédito rural restrito, aumento da inadimplência e necessidade de gestão financeira rigorosa. O banco ressalta que o produtor precisará manter a “guarda alta”, já que o espaço para erros será mínimo diante da combinação entre commodities em baixa, câmbio volátil e insumos em alta.


O Rabobank (2025) reforça essa visão, destacando que o ano será de ajustes estruturais e reorganização dentro da porteira. Embora as margens sigam comprimidas, o Brasil mantém vantagem competitiva pela eficiência produtiva, câmbio favorável às exportações e capacidade de adaptação do produtor rural.


Ainda assim, o cenário não é apenas de riscos.


Ambos os relatórios apontam espaços concretos para crescimento, impulsionados pela transição energética, pelo avanço dos biocombustíveis (como o etanol de milho e a soja para biodiesel) e pela demanda global contínua por alimentos.


A realização da COP30, em novembro deste ano, reforça o papel do país como fornecedor confiável e sustentável, com destaque para as oportunidades de intensificação produtiva em áreas já abertas e de redução da pegada de carbono.


Quer saber quais são as projeções do agronegócio para 2026 e como o cenário econômico deve impactar o produtor rural? Acompanhe a seguir uma síntese completa dos relatórios Rabobank (2025) e Itaú BBA (2025).


Cenário macroeconômico: juros altos e real mais volátil

Ambos os relatórios projetam que o PIB brasileiro crescerá entre 1,5% e 1,6% em 2026, abaixo dos 2% de 2025 (Figura 1). Essa desaceleração reflete principalmente três fatores interligados:  


Política monetária ainda restritiva: mesmo com expectativa de cortes graduais da Selic a partir do segundo trimestre, os efeitos defasados dos juros elevados continuam a frenar o consumo e os investimentos produtivos.

Incerteza fiscal e política:  o calendário eleitoral de 2026 tende a limitar reformas estruturais e aumentar a volatilidade do câmbio, o que reduz previsibilidade para investimentos para o setor privado.

Exportação em ritmo mais lento: a demanda global mais contida (China crescendo abaixo de 5%) somada à normalização dos estoques agrícolas mundiais, reduz o impulso das commodities no PIB agro.

Para o PIB global, o Itaú BBA projeta expansão de 2,9%, abaixo da média de 3,4% neste início de século. Além das tensões geopolíticas (Mar Negro e Golfo Pérsico), o banco alerta que as incertezas comerciais e fiscais pesarão sobre o desempenho de EUA e China, os dois principais motores da economia mundial.

Segundo o Rabobank, o Banco Central deve iniciar cortes na Selic apenas no 2º trimestre de 2026, com taxa projetada em torno de 12,5% ao ano (ainda elevada frente à média histórica). O Itaú BBA estima trajetória semelhante, com Selic entre 12% e 12,25% no fim do período.

A combinação de juros altos e inflação controlada (3,8% segundo o Itaú BBA), indica um ambiente de crédito mais caro e seletivo, especilamente para produtores altamente alavancados.

O Rabobank acrescenta que o real tende a se desvalorizar gradualmente, acompanhando o cenário de incerteza fiscal e a aproximação do calendário eleitoral.

E quais possíveis impactos diretos para o produtor?

  • Maior custo financeiro nas renovações de crédito rural;
  • Possível encarecimento de máquinas e insumos importados;
  • Câmbio mais volátil tenfavorecendo exportadores, mas exigindo proteção com operações de hedge.

Insumos agrícolas: margens apertadas e fertilizantes ainda caros

O setor de insumos continuará sob pressão, segundo o Rabobank. Mesmo com entregas recordes de fertilizantes em 2025 (≈46,5–47,5 milhões de toneladas), a estimativa é que as margens operacionais permanecerão reduzidas até meados de 2027.

O banco aponta que esse comportamento resulta da fragilidade financeira dos produtores e de condições específicas em diferentes cadeias do agronegócio. Entre os principais fatores, destacam-se:

  • Produtores de grãos: ainda se recuperam do alto nível de alavancagem decorrente dos investimentos realizados em expansão e tecnologia, entre 2019 e 2023;
  • Setor sucroenergético: enfrenta queda na produtividade dos canaviais e preços menores do açúcar e do etanol, comprimindo margens e limitando a capacidade de compra de insumos;
  • Citricultura: sofre com redução dos preços da laranja, o que afeta diretamente o poder de reposição de nutrientes e defensivos;
  • Café: é a única commodity com margem operacional positiva e consistente, sustentada pela valorização do robusta e pela estabilidade dos custos.

Fertilizantes: fósforo segue como ponto de atenção

Dentre os custos de produção, que influenciam diretamente a margem do produtor, os fertilizantes são o principal foco de atenção. Para a safra 2026 deve haver alta nos custos de adubação.

  • O custo médio da adubação aumentou 7,4% entre 2024 e 2025, e deve permanecer alto na safra 2026/27 (Figura 2).
  • O MAP permanece em patamar de preço elevado, levando produtores a substituir por SuperSimples (SSP) e SuperTriplo (TSP);
  • O mercado global de fósforo continuará apertado em 2026, já que a China segue priorizando seu abastecimento interno.




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