Por que a guerra do Irã ameaça o agro brasileiro
O Brasil é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, mas, ao mesmo tempo, é o maior importador global de fertilizantes
Em meio ao cessar-fogo de duas semanas na guerra no Irã, os EUA iniciariam o "bloqueio de navios que entram ou saem de portos iranianos" nesta segunda-feira (13/10) após uma rodada de negociações de paz frustradas com Teerã no fim de semana.
O bloqueio abrangerá "toda a costa iraniana", de acordo com uma nota enviada pelo Comando Central dos EUA (Centcom) aos marinheiros e divulgada pela agência de notícias Reuters. Ele afetará navios de qualquer bandeira no Golfo de Omã e no Mar Arábico, a leste do Estreito de Ormuz.
Ou seja, a situação do estratégico Estreito de Ormuz, importante rota comercial mundial, segue incerta.
E, com isso, permanece a incerteza também acerca do alvo invisível da guerra: os fertilizantes, principalmente a ureia, um composto nitrogenado essencial para o cultivo em escala.
Para o Brasil, que tem a cadeia do agronegócio como propulsora da economia e não produz seus próprios fertilizantes, o baque pode ser grande.
"A causa do problema é que temos um país que tem 30% do PIB sustentado pela agricultura, mas depende de mais de 90% de fertilizante importado", diz Bernardo Silva, diretor-executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-primas para Fertilizantes (Sinprifert).
Na semana passada, a Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (AFCP) e o Sindicato dos Cultivadores de Cana do Estado de Pernambuco (Sindicape) protestaram em Recife (PE), pedindo ajuda governamental para fertilizantes.
Mas o problema não fica restrito às fazendas. Como o milho e a soja são a base da ração animal, a alta nos fertilizantes tem um efeito cascata. Se o conflito no Irã persistir, o preço do frango, dos ovos e da carne bovina pode subir nos supermercados brasileiros no segundo semestre.




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